O céu que vemos na cidade
é o mesmo que se vê nos montes,
são as mesmas as suas veredas e sinais,
ainda que ofuscados
pelo clarão das luzes.
De nada serviria procurar
as constelações, ou a Estrela Polar
neste céu contrafeito.
Já na distância as nuvens se carregam,
anunciam-se tempos sombrios.
Sem fulgor algum
que nos traga a madrugada,
quem poderemos nós invocar,
Ó Ursa Maior, «animal de pêlo de nuvens
e olhos antigos,
olhos estelares»?

a fotografia foi tirada numa noite deste verão, num vale entre montes no Algarve, perto da casa do meu amigo Jorge Vala, a quem mandei estes versinhos hoje, dia em que ele faz anos. Estou em crer que outros também hão de apreciar esta visita casa vez mais rara da Ursa Maior.