reclame (ou não?)

anda por aí um cartaz publicitário que tem dado muito que falar: um reclame a uma estante dizendo que é boa para guardar livros ou… 75.800 €. Os euros, toda a gente topa logo, mais que não seja pela soma exata, são uma alusão ao caso do político que escondeu um envelope com essa massa toda (sem indicação do remetente, está bom de ver) na estante onde a judiciária a foi desencantar. Há quem reclame, quem ache que a publicidade não se devia “meter em política”, um terreno que devia estar vedado a aproveitamento comercial. Outros não, dizem que cada qual come do que gosta e se não gosta vai a outra tasca, e até acham piada àquilo. Enfim, uma boa polémica à medida dos tempos que correm em que nada mais – não fora a catástrofe climática que se anuncia, as desigualdades económicas abissais, as guerras calamitosas com que se debate a Europa e o mundo, a crise dos valores em que até aqui assentava a nossa brava cultura ocidental, a falta de canalizadores aos domingos, etc etc – nada ou pouco mais há que nos entretenha.
A seguir a este cartaz outros se seguiram, de outras marcas e de outros produtos, a aproveitar a maré. E mesmo o Jean Némar, que devia era ter mais juízo, resolveu dar um arzinho da sua graça e mandou-me este postal com uma montagem de sua autoria. Hão de uns achar – talvez, talvez… – que está com isso a passar as marcas; e hão de outros achar que não e até achar piada, como é de norma.
Mas, adiante, é assim o postal do Jean Némar:

“No princípio, quando Deus criou os céus e a terra, a terra era informe e vazia, as trevas cobriam o abismo, e o espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas. Deus disse: “Faça-se a luz.” E a luz foi feita.”
Deus, como nos ensinaram, falava em latim e assim o que disse foi “Fiat Lux”. Ou, na minha versão, que uma imagem vale mais que mil palavras:

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