marcar o ponto

há aquelas anedotas do gajo que chegava ao emprego, assinava o ponto e ia para o café. voltava ao fim do dia. ou o outro que chegava, punha um casaco nas costas da cadeira (tinha outro de reserva) e ia à vida, sem dar mais cavaco. E há quem pense: e na vida, não é isso mesmo que se passa?

No dia de ontem, ao começar o ano, há quem pense que tudo, todos os gestos, todas as coisas, têm de ter um sinal especial, como que a deixar nelas a marca do que será o resto do ano. Somos assim: pequenos bichos de temores e esperanças arrancados a sabe-se de lá onde. Sem acreditarmos nisso, repetimos os gestos e os rituais em nome de coisas a que não damos nome.

Ao começar o dia, estava a fazer a barba, não sei o que me passou pela cabeça. Chamei o Coiote, besuntei-o com a espuma de barbear e rapei-lhe o buço. Há uma primeira vez que depois recordamos, como que a marcar o território do terreno onde acabámos de entrar e que não sabemos (ainda) o que é. É o que me dizem. Há quem acredite nisso. Que não eu.

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